quarta-feira, julho 23, 2008

Só uma noite

É só uma noite, mas não é só mais uma, e não é qualquer uma. É a noite que ela desejava, mas não exatamente como ela desejava. Ela a desejava. Ela o desejava. Caminha ao encontro de seu desejo, música nos ouvidos, frio nas mãos, no corpo calor e na cabeça um pouco de confusão. Ela caminha porque a busca é incessante, traz dúvida e insegurança porém traz juntamente emoção. Ela pára, chega ao encontro mas não o encontra, ela liga, ele a encontra. Ela se encontra. E encontra todos, os outros. Um toque de decepção. Ele um pouco distante, ela meio perdida. Mas eis que a noite começa, finalmente começa. Ela se diverte entre sorrisos e falas, ao som de um jazz-aberto-totalmente-livre e sob a baixa luz vinda do palco. Ela aproveita a noite. Ela troca suas dúvidas e inseguranças por uma deliciosa sensação de alegria. Prazer de estar onde está e com quem está. Ela, ele; ele, ela, todos. Ele e ela, ainda mais. Ela descobre que é tudo muito mais do que ela queria. Ela enxerga encanto onde achava que não existia. Agora o som silencia, a luz fica clara. A noite está prestes a acabar. Ela se despede, ele se despede. Um beijo. Ela caminha devagar, sem olhar pra trás. Ainda sem entender, sem querer muito entender. Sorrindo por dentro. Foi só uma noite.

6 comentários:

Wagner Miranda disse...

O Henri Cartier-Bresson primava por captar o "momento único". Aquilo que uma vez perdido, jamais pode ser recuperado pelo nosso olhar (e pela lente de uma câmera). Acho isso uma grande sacada, pois assim é a nossa vida. Repleta deles. Muitos a gente deixa passar por medo, por displicência, descaso ou até desatenção. Você captou o seu, e tenho certeza de que não se arrependeu.
Viajei? Acho que não. =P

Beijão, POEta.

Do fã #000000000001. ;)

Barbara disse...

Digamos que eu quis escrever sobre esse momento, quando idealizamos algo que não sai exatamente como queríamos então tendemos a ver pelo lado negativo, porém em meio a isso é possível perceber que não ter acontecido o que era esperado não é o fundo do poço e podemos ir além e viver momentos que poderíamos perder por falta de atenção ou por estarmos pensando em como tudo pederia ser. Fazer o momento e não perder o momento... mais ou menos isso. Escolhi o cenário e criei a pequena narrativa... imaginação hehehe

O momento único! Isso aí!

Você não viajou!

=]

Marcela Brunelli disse...

E eu acho que tinha entendido mais ou menos isso. Não querer entender e aproveitar as pequenas delícias de estarmos onde estamos bem agora.
Adorei a fragmentação do texto. Olhar fotográfico, agora em palavras!
Adorei!
Bjinhos, Bá!

Juan Carlo Moravagin disse...

Como já havia lhe dito as vezes o que vc escreve parece tão real, que quando terminamos de ler deixa de ser tão real. Porém provavelmente isso não tem importância nenhuma, pois o que conta é a experiência, os momentos, é a dança com a vida.
Aliás vc dança muito bem, e se a gente ver o mundo sem cabrestos, podemos dançar todos os dias, em todos os lugares, não precisamos de salões nem de música. É só dançar.

Caru disse...

É assim mesmo! Vaziooooo, só mais uma noite...

Caru disse...

Agora que li o q escreveram...
Cada um entende o que quer, isso é arte.